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APAR passa a integrar oficialmente o FEAPrj

Foto do escritor: APAR – Associação Patrulha Jovem do Rio
APAR – Associação Patrulha Jovem do Rio
13 de out.
6 min de leitura

Instituição participou da primeira reunião ordinária do Fórum Estadual da Aprendizagem Profissional ao lado de representantes do poder público, sistema de Justiça, setor produtivo, entidades formadoras e sociedade civil.


Henrique Sampaio, Patrícia Mendonça, Nicole e Ana Luiza representando a APAR na reunião do FEAPrj no Rio de Janeiro.
Henrique Sampaio, Patrícia Mendonça, Nicole e Ana Luiza representando a APAR na reunião do FEAPrj no Rio de Janeiro.

No dia 7 de outubro, a APAR — Associação Patrulha Jovem do Rio passou a integrar oficialmente o Fórum Estadual da Aprendizagem Profissional do Estado do Rio de Janeiro, o FEAP-RJ, durante encontro realizado no Teatro Raymundo de Magalhães Júnior, da Academia Brasileira de Letras, no Centro do Rio de Janeiro.


A instituição esteve representada pelo Presidente Henrique Sampaio Ferreira Ferreira e pela Coordenadora Pedagógica Patrícia Mendonça. Também participaram do encontro Nicole e Ana Luiza, jovens da APAR e hoje jovens aprendizes do Colégio Cruzeiro, trazendo para aquele espaço institucional a presença de quem está diretamente relacionado à razão de existir da política de aprendizagem: os próprios jovens.


Durante a formalização da composição do Fórum, 120 nomes foram citados como membros integrantes do FEAP-RJ. A primeira reunião colocou sobre a mesa questões que desafiam a realidade da aprendizagem profissional no Estado: qualificação, primeira oportunidade, vulnerabilidade social, trabalho protegido, combate ao trabalho infantil, participação das empresas, articulação institucional e acompanhamento dos jovens.


O encontro marcou a instalação do Fórum no novo modelo estabelecido nacionalmente para os fóruns estaduais de aprendizagem. Pela regulamentação vigente, esses espaços têm caráter permanente e devem articular poder público, empregadores, entidades formadoras e sociedade civil, promovendo debates, ações e propostas para o fortalecimento da aprendizagem profissional.


Uma política que não se constrói isoladamente

Uma ideia atravessou diferentes falas ao longo da tarde: nenhuma instituição consegue responder sozinha aos desafios da inserção dos jovens no mundo do trabalho.


Ao apresentar a experiência da formação profissional ligada à indústria, Carlos Magno Lucas do Nascimento, Diretor de Operações e Negócios da Firjan, sintetizou essa compreensão de maneira bastante direta:

“A aprendizagem profissional não é responsabilidade de uma única instituição.”

A afirmação encontrou eco nas intervenções de representantes do governo estadual, do Ministério Público, da Defensoria Pública, da Justiça do Trabalho e de outras organizações presentes. Governo, empresas, instituições formadoras e redes de proteção atuam em partes diferentes de uma mesma trajetória, que começa antes da contratação e não termina quando o jovem consegue a primeira vaga.


Foi justamente essa responsabilidade coletiva que Claudio Secchin, Superintendente Regional do Trabalho e Emprego no Rio de Janeiro, enfatizou ao formalizar o Fórum. Em uma das passagens mais significativas de sua fala, observou:

“Nenhum ato administrativo sozinho transforma essa realidade.”

Sua mensagem apontou para o desafio seguinte à assinatura da portaria: fazer com que o FEAPrj seja efetivamente um espaço de identificação de problemas, aproximação das instituições e construção de soluções, e não apenas mais uma agenda periódica de reuniões.


Outro eixo importante do encontro foi o acesso de adolescentes e jovens em maior situação de vulnerabilidade.


Raimundo Nonato Patrício Gomes, Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, chamou atenção para a necessidade de alcançar jovens de territórios mais vulneráveis e também aqueles em cumprimento de medidas socioeducativas.


A discussão avançou na fala da promotora de Justiça Dra Carolina Nery Enne, representante do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Ela destacou que, em determinadas situações, as

vagas existem, mas os jovens não conseguem chegar até elas ou encontram obstáculos relacionados à escolaridade, informação, encaminhamento e acompanhamento.


Sua intervenção trouxe ainda uma dimensão particularmente importante para as instituições que trabalham com juventude: governança e dados. Entre as necessidades mencionadas estavam aprimorar os fluxos de encaminhamento, construir bases de informação compartilhadas e acompanhar indicadores de acesso, permanência e conclusão.


Isso muda a perspectiva da aprendizagem. Conseguir uma vaga é um indicador importante, mas insuficiente. É preciso saber quem consegue chegar às oportunidades, quem permanece, quem abandona o percurso e quais fatores estão produzindo esses resultados.



Trabalho protegido e combate ao trabalho infantil

A aprendizagem profissional também apareceu no encontro como instrumento de proteção.


O presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, Desembargador Roque Lucarelli Dattoli, relacionou diretamente o estímulo à aprendizagem ao enfrentamento do trabalho infantil. A Justiça do Trabalho, destacou que trabalha nessas duas agendas de forma complementar: crianças devem ser protegidas do trabalho precoce e adolescentes, no momento adequado, precisam encontrar formas protegidas de ingresso no mundo profissional.


A defensora pública Dra. Eufrásia Maria das Virgens ampliou essa discussão ao lembrar que trabalho infantil não pode ser naturalizado sob o argumento de que “é melhor estar trabalhando”. Em sua intervenção, defendeu educação, proteção social, garantia de direitos e oportunidades adequadas de aprendizagem como respostas às situações que ainda afastam crianças e adolescentes da escola ou os colocam em atividades inadequadas.


É uma distinção fundamental: aprendizagem profissional não é trabalho precoce nem precarização. É formação vinculada a direitos, educação e proteção.


Qualificação, primeiro emprego e as novas exigências do trabalho

A distância entre a formação escolar e as exigências encontradas pelos jovens ao tentar ingressar no mercado também esteve presente nas discussões.


O Secretário Municipal de Trabalho e Renda, Manoel Vieira Gomes Júnior, chamou atenção para dificuldades relacionadas a competências básicas, escolaridade e preparação para o primeiro emprego. Sua fala provocou uma pergunta que impacta a agenda da aprendizagem: como preparar melhor os jovens para transformar uma oportunidade disponível em uma trajetória profissional possível?


O Subsecretário Adjunto de Trabalho e Renda do Estado, Guilherme Araken Carriço Mizrahi, reforçou a aprendizagem como instrumento de aproximação entre juventude, educação e mercado de trabalho, associando primeira oportunidade a autonomia e continuidade da trajetória profissional.


Já Ântonio Florêncio de Queiroz Júnior, Presidente da Fecomércio RJ, relacionou qualificação às transformações tecnológicas e risco de novas desigualdades. Em publicação oficial da entidade após o encontro, sua mensagem foi resumida em uma frase particularmente significativa:

“Incluir um jovem no mundo do trabalho é mais do que abrir uma vaga. É abrir um caminho para o futuro.” Fecomércio RJ

A Fecomércio também destacou a necessidade de aproximar educação, inovação, tecnologia e qualificação profissional para que a transformação digital não produza um novo grupo de jovens afastados das oportunidades.


Trabalho digno: oportunidade, mas não qualquer oportunidade

A Presidente da Comissão de Justiça do Trabalho da OABRJ, Dra Érica Pereira Santos, dirigiu uma parte importante de sua fala diretamente aos jovens presentes.


Ao lembrar que o encontro acontecia em 7 de outubro, data relacionada mundialmente à defesa do trabalho decente, destacou que não basta oferecer qualquer oportunidade.

Sua frase resume bem essa dimensão:

“O primeiro emprego pode mudar a vida.”

Pode representar o primeiro salário, a descoberta de uma profissão e alguma independência, mas, sobretudo, a percepção de que existe um futuro possível.


Por isso, a presença de nossas jovens Nicole e Ana Luiza, hoje contratadas pelo Colégio Cruzeiro, ganha um significado que vai muito além de uma fotografia institucional. Neste encontro onde autoridades, empresas, organizações sociais e entidades formadoras discutiam políticas voltadas à juventude, vê-las na plateia, acompanhando de perto essa construção, representa também a concretização do trabalho desenvolvido pela APAR.


Um fórum para transformar diálogo em ação

A Procuradora do Trabalho Dra Dulce Martini Torzecki, representante do Ministério Público do Trabalho e apresentada durante o encontro como madrinha do FEAP-RJ, recuperou a trajetória anterior de articulação das instituições que já atuavam na pauta e destacou o papel do Fórum como espaço de diálogo.


Em publicação oficial do MPT-RJ após o evento, a procuradora sintetizou:

“Uma sociedade democrática se constrói pelo diálogo.” MPT-RJ

A instituição também destacou sua defesa da ampliação da aprendizagem para jovens em situação de vulnerabilidade e da integração entre educação e trabalho.


Esse talvez seja o ponto que melhor resume a tarde de 7 de outubro. Havia diferenças de perspectivas, responsabilidades e campos de atuação entre os participantes, mas uma convergência ficou evidente: a aprendizagem profissional precisa funcionar como política articulada, e não como uma coleção de iniciativas isoladas.


O que a participação no FEAPrj representa para a APAR

Para a APAR, integrar oficialmente o Fórum tem relação direta com uma história construída há quatro décadas em torno da formação e da inserção profissional de adolescentes e jovens.


Fundada em 1986, a instituição reúne formação cidadã, preparação profissional e acompanhamento multidisciplinar. Em sua trajetória, já apoiou mais de 22 mil jovens na entrada na vida profissional e atua na aproximação entre estudantes, oportunidades, empresas, famílias e comunidades.


Por isso, a entrada no FEAP-RJ não deve ser vista apenas como reconhecimento institucional.


Ela significa participação.


Participar dos debates sobre os obstáculos que impedem jovens de chegar às oportunidades. Contribuir para a construção de pontes entre formação e empresas. Escutar outras experiências. Compartilhar aprendizados acumulados. Acompanhar transformações na legislação, nas políticas públicas e no mundo do trabalho. E, sobretudo, colaborar para que aquilo que é discutido em fóruns e reuniões consiga chegar à vida concreta de adolescentes e jovens.


A assinatura que formalizou o novo ciclo do FEAP-RJ iniciou-se nesta cerimônia.

O trabalho que ela representa está apenas começando.


Por: Henrique Sampaio Ferreira Ferreira | Presidente da APAR-Associação Patrulha Jovem do RJ e Patrícia Leal S Freitas | Assessoria de Marketing, Innovarum.



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